domingo, 7 de dezembro de 2008

"Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus"

Texto: Isaias 40.1-11
Tema: “Deus quer consolar o seu povo”
Consolar : Aliviar o sofrimento – suavizar, confortar. Este é o significado se nós olharmos o dicionário! Consolar é ajudar alguém a respirar em meio ao sufoco. É ajudar alguém para que tenha ar para poder continuar sua caminhada. Consolar é animar, dar vida e alivio.Deus diz para Isaias: “Consolai, consolai o meu povo” (Is 40.1a)
O povo de Israel estava no exílio na Babilônia. Nabucodonosor havia conquistado Jerusalém no ano 587 a.C. e grande parte do povo foi deportada para a distante Babilônia.
No início do exílio, é possível que muitos tenham tido a esperança de que o exílio seria por curto tempo. Mas o tempo foi passando e o quadro triste do exílio permaneceu. Em meio a essa situação diversos pensamentos poderiam ter ocupado as mentes dos israelitas. Uns poderiam pensar: “os deuses da babilônia triunfaram”, outros ; “Deus nos largou, nos abandonou de vez” ou “bem que Deus nos avisou através dos profetas, e nós não levamos a sério. Agora Ele cumpriu o que havia dito”.
O povo certamente tinha saudades e vontade de retornar à pátria, e estar próximo do santuário em Jerusalém. E agora o tempo havia chegado! Deus não se esqueceu do seu povo e nem o abandonou. Deus manda o profeta Isaias consolar o seu povo dizendo que a volta para a pátria estava próximo e que o povo poderia voltar à sua terra, conduzido por Deus.
A repetição “Consolai, consolai o meu povo” indica que havia urgência para que esse consolo fosse proclamado. O povo, mais do que nunca, precisava ser reanimado e confortado.
O povo exilado e cativo estava carente daquele consolo que só Deus pode dar. E se Deus oferece consolo ao povo desobediente é porque Deus é misericordioso. Deus está anunciando que há perdão, esperança e liberdade porque Ele ama seu povo, apesar dos muitos pecados. Deus quer que aconteça um novo começo, depois dessa experiência de castigo merecido. Um tempo novo está por vir, anuncia o profeta.
Mas a libertação de Israel da escravidão babilônica foi apenas um passo para o cumprimento do tempo novo, pois na plenitude do tempo Deus envia seu próprio Filho para libertar toda a humanidade da escravidão do pecado.
E é por causa do pecado, que o ser humano é por natureza um desconsolado e precisa do consolo de Deus! Deus é a única fonte do verdadeiro consolo. Em meio ao pecado e ao descaso do ser humano para com Deus, em meio a desesperança do ser humano, Deus, o Consolador por excelência, oferece o ar da vida, o consolo da verdadeira paz e a esperança da vida que não tem fim. Nele, e só nele, está toda CONSOLAÇÂO.
Por isso, em vão procuram consola aqueles que não o buscam em Deus. Muitos se desesperam na vida e procuram ajuda em conselhos e filosofias humanas. Esses nunca terão consolo verdadeiro e verdadeira paz – Pois isto, só Deus pode dar ao pecador!
Deus quer nos consolar com a sua palavra e sacramentos, aliviando a nossa aflição e culpa. É através destes meios, que Deus diz para nós, como disse para o povo rebelde que havia sido levado para a babilônia: “Falai ao coração de Jerusalém, bradai-lhe que já é findo o tempo da sua milícia, que a iniqüidade está perdoada e que já recebeu em dobro das mãos do Senhor por todos os seus pecados”. Deus esta dizendo que o seu perdão e misericórdia é o dobro do que os pecados cometidos. Aqui Deus revela o seu grande amor pelo povo de Israel no cativeiro na Babilônia, bem como o seu amor por nós hoje – porque podemos ter a certeza de que, quando nos arrependemos dos nossos pecados - o perdão de Deus e a sua misericórdia se manifestam sobre nós em dobro em relação aos pecados cometidos. Isso significa de que: O perdão de Deus sempre maior do que os nossos pecados. Que a graça de Deus esta acima e muito além da nossa capacidade de pecar.
Isaias fala também de preparar o caminho do Senhor. No evangelho de hoje ouvimos João proferindo as palavras de Isaias e clamando ao povo para preparar o caminho para a vinda do Messias.
Preparar o caminho significa tirar os empecilhos, os obstáculos que dificultam ou impedem o uso da estrada. A ordem é preparar e endireitar o caminho para Deus passar. E todo esse preparo visa o encontro do Rei eterno com o seu povo. Preparar o caminho do Senhor é em última análise à volta para o Senhor, a reconciliação. Arrependimento é para ser a estrada dentro do coração humano pela qual Deus virá para o encontro com o seu povo.
A realidade é que havia e há muitos empecilhos no coração humano que impedem a vinda e o encontro do Rei com o seu povo. Esses empecilhos precisam ser removidos. Precisa haver mudança, arrependimento. Isso é verdade para o povo no exílio babilônico e para nós hoje, como os nossos caminhos tortos.
A idéia de preparar uma estrada para Deus tem os seus paralelos nas majestosas estradas da Babilônia. O aterrar dos vales, o nivelar dos outeiros e montes e o retificar do que é tortuoso são descrições da ação de Deus na história. E Cristo é Aquele que abriu o caminho para sempre, morrendo para pagar a divida de todos os nossos pecados. Crer, confiar nessa verdade implica que tudo o que há de orgulho em nós tem que curvar-se. Diante de Cristo não temos nada a apresentar ou mostrar. Ele nivela tudo e todos.
O Advento é tempo especial de refletir sobre a estrada da nossa vida.é tempo de reconhecer e identificar “os buracos, as curvas, o nível acidentado de nossa estrada, que anda quase que intransitável”. Advento é tempo de confessar os estragos que causamos como o nosso amor-próprio, tornando difícil a comunicação com o nosso próximo.
Nada melhor para este tempo de preparação para o Natal do que colocar em dia os caminhos de nossa vida, preparar a 2ª. Vinda do Senhor como o nosso diário e contínuo arrependimento.
“Consolai, consolai o meu povo, diz o vosso Deus”. Com estas palavras Deus quer consolar a todos nós. E ao mesmo tempo, Deus quer usar a cada um de nós para consolar aqueles que estão aflitos e estão sofrendo neste mundo. Deus quer que levemos o consolo ao próximo através do amor e serviço cristão.
A Escritura Sagrada quer consolar a todos com o Evangelho, a boa nova do consolo que há no Messias nascido em Belém. Declarados justos, sem mérito nosso, pela fé no Salvador, temos a paz, o consolo, a esperança e a liberdade que “excede todo o entendimento humano” (Fp 4.7) .

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